Cenário em 10 de julho

Até o dia 9 de julho de 2020, o Brasil teve 1.755.779 casos confirmados de coronavírus, dos quais 60% já se recuperaram da doença. O número de óbitos é de 69.184, correspondendo a 3,94% dos casos confirmados. Em resumo, observamos a contaminação de 0,84% da população brasileira.

A previsão realizada no dia 9 de julho mostra um crescimento ainda acelerado para novos casos. A expectativa é de que esse número chegue a quase 2,5 milhões nas próximas duas semanas. A curva de mortes ainda mostra uma quantidade diária elevada. Entretanto, a taxa de mortalidade está em queda desde o dia 17 de junho, portanto espera-se que o percentual de óbitos caia para 3,5%. No dia 23 de julho, o número de mortes acumuladas deve chegar a 87.477.

A estimativa do número efetivo de reprodução para o Brasil é de 1,15 no dia 9 de julho, mantendo certa estabilidade que persiste desde a primeira semana de junho, aproximadamente. Nos estados, observa-se um quadro heterogêneo. As últimas estimativas do número de reprodução indicam Rt<1 em apenas dois estados, a saber, Pará e Amapá. Os outros estados, assim como o Distrito Federal, apresentam um número de reprodução entre 1 e 1,5.

Alguns estados chamam atenção. O número de reprodução caiu no Amazonas de 2 no final de abril para quase 0,8 na segunda semana de junho. Porém a tendência reverteu e, desde então, vem subindo. As estimativas mais recentes encontram-se hoje bem acima de um, entretanto, o aumento de novos casos não teve reflexo nas mortes. Observa-se quadros semelhantes de reversão de tendência no Acre, Maranhão, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Essa heterogeneidade também pode ser observada nos números de casos e mortes. Amapá, Roraima e Distrito Federal apresentam as maiores taxas de casos por habitantes. Nesses estados, o percentual de infectados em relação ao total da população é respectivamente de 3,64%, 3,33% e 2,18%. Já Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul exibem as menores taxas, com 0,032%, 0,032% e 0,033% respectivamente.

A figura abaixo ilustra como essa heterogeneidade se reflete nas estatísticas de óbitos, ordenando os estados pelo tempo epidemiológico. Ou seja, estados que aparecem mais para baixo na figura são aqueles em que o máximo observado (em vermelho) na média móvel de 14 dias de mortes aconteceu há mais tempo. As barras do lado direito mostram as mortes acumuladas por milhão de habitantes. É interessante observar que os estados em um estágio mais inicial da epidemia (isto é, atrasados no tempo epidemiológico) tendem a ter menos mortes por milhão de habitantes. Nestes casos, a pressão no sistema de saúde ainda pode aumentar, já que a coloração mais encarnada no passado recente indica que o pior ainda está por vir. Do mesmo modo, os estados na parte inferior do gráfico já aparecem em coloração mais esverdeada, indicando certa distância do período com maior número de mortes diárias.

Abaixo, apresentamos mapas animados que mostram a evolução da pandemia (casos e óbitos) nos municípios brasileiros. Os primeiros dois mapas são para os 80% dos municípios com IDH mais baixo e os últimos dois mapas são para os 20% dos municípios com IDH mais alto.