O Cenário em 14 de julho

Até o dia 14 de julho de 2020, o Brasil teve 1.926.824 casos confirmados de coronavírus, dos quais 62,8% já se recuperaram da doença. O número de óbitos é de 74.133, correspondendo a 3,85% dos casos confirmados. Em relação ao total da população, a contaminação é de 0,92% e os óbitos representam 0,035%.

A previsão realizada no dia 14 de julho mostra um crescimento linear para novos casos. A expectativa é de que o número de casos acumulados chegue a 2,47 milhões nas próximas duas semanas.
A curva de mortes ainda mostra uma quantidade diária elevada e segue com um comportamento constante há 7 semanas. Entretanto, a taxa de mortalidade está em queda desde o dia 17 de junho, portanto esperamos que o percentual de óbitos caia para 3,58%. No dia 28 de julho, o número de mortes acumuladas deve chegar a 88.260.

O número efetivo de reprodução para o Brasil está em queda desde o dia 21 de junho e a estimativa atual é de 1,02. Nos estados, observa-se um quadro heterogêneo. As últimas estimativas do número de reprodução indicam valores inferiores à 1 em 11 estados, a saber, Rondônia, Roraima, Pará, Amapá, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro e Goiás. Os outros estados, assim como o Distrito Federal, apresentam um número de reprodução entre 1 e 1,5. Nenhum estado apresenta valores acima de 1,5. O número de reprodução do Rio de Janeiro era superior a 1,5 até o dia 25 de maio. Desde então, ele vem caindo rapidamente e encontra-se agora em 0,83.

A heterogeneidade mencionada no parágrafo acima também pode ser observada nos números de casos e mortes. Roraima, Amapá e Distrito Federal apresentam as maiores taxas de casos por habitantes. Nesses estados, o percentual de infectados em relação ao total da população é, respectivamente, de 3,79%, 3,77% e 2,44%. Já Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná exibem as menores taxas, com 0,36%, 0,37% e 0,4% respectivamente.

A situação dos óbitos é resumida na figura abaixo. Nela, os estados são ordenados pelo tempo epidemiológico. Ou seja, estados que aparecem mais para baixo na figura são aqueles em que o máximo observado (em vermelho) na média móvel de 14 dias de mortes aconteceu há mais tempo. As barras do lado direito mostram as mortes acumuladas por milhão de habitantes. É interessante observar que os estados em um estágio mais inicial da epidemia (isto é, atrasados no tempo epidemiológico) tendem a ter menos mortes por milhão de habitantes. Nestes casos, a pressão no sistema de saúde ainda pode aumentar. Do mesmo modo, os estados na parte inferior do gráfico já aparecem em coloração mais esverdeada, indicando certa distância do período com maior número de mortes diárias.